
IdeologiaPolyGram - 1988IdeologiaEzequiel NevesAo voltarmos para o Brasil no começo de dezembro de 1987, depois do pesadelo que foram os três meses de tratamento no New England Hospital de Boston, Cazuza já tinha material e muita pressa de iniciar os trabalhos para um novo disco. Imediatamente convocamos Nilo Romero novamente para colaborar conosco. Ele, pra variar, adorou. O disco teria o título de IDEOLOGIA, música de cunho corrosivamente político que Cazuza havia feito com Frejat. Nos piores momentos em que o poeta passara numa UTI do New England Hospital ele cantava a letra de olhos fechados. Lucinha, numa tarde longa e cinzenta, me perguntou: --Meu filho está balbuciando uma música que nunca ouvi. Fala em algo como "meus heróis morreram de overdose", que letra é essa? Disse a ela que era uma canção inédita e genial que Cazuza dera para Frejat fazer a música. Lucinha foi incisiva: "Se meu filho morrer não vou deixar ninguém gravar essa música", disse em prantos. Fiquei quieto porque tinha certeza que Cazuza não ia morrer. Entramos no estúdio da Polygram em janeiro, Márcio Gama pilotando a mesa de som e fizemos, inspiradérrimos, uma outra obra prima. IDEOLOGIA, tinha, entre outras maravilhas, "Brasil" (um hino de amor a um país falido), "Um Trem Pras Estrelas" ( a única parceria de Cazuza com Gilberto Gil), "Blues da Piedade", a surrealista "A Orelha de Eurídice", "Minha Flor,Meu Bebê"( com Dé assinando a música) e uma releitura de "Faz Parte do Meu Show" (música de Renato Ladeira que Cazuza cantou como um João Gilberto renascido. IDEOLOGIA tinha uma capa polêmica, de Zerbini e Barra misturando suásticas com Estrelas de Davi. Querem algo mais provocativo e sincrético?
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